A Kia planeia integrar mais tecnologia digital nos seus futuros veículos, mantendo estrategicamente botões físicos para funções essenciais. Esta abordagem contrasta com alguns concorrentes, especialmente marcas chinesas emergentes, que promovem agressivamente interiores minimalistas e quase sem botões. A decisão reflete o foco global da Kia e um compromisso com a usabilidade em detrimento da novidade.
O valor do equilíbrio
Jochen Paesen, chefe de design de interiores da Kia, enfatizou a importância de encontrar um “equilíbrio” entre recursos digitais e controles táteis. Segundo Paesen, certas funções – aquelas que requerem acesso imediato sem distração – devem permanecer físicas.
“Existem certas funções que você precisa encontrar imediatamente e não quer bagunçar, por isso as mantemos físicas. Agora estamos aprendendo com isso para aumentar o componente digital e experiencial.”
Isto não é simplesmente uma questão de preferência; trata-se de segurança do motorista e operação intuitiva. A dependência excessiva dos menus da tela sensível ao toque pode aumentar os tempos de reação, principalmente em situações críticas.
Aprendendo com a competição
A Kia reconhece a rápida inovação proveniente dos fabricantes de automóveis chineses, que estão a experimentar designs interiores radicais. Paesen elogiou a sua vontade de ultrapassar limites, mas alertou contra a perseguição cega da novidade sem considerar a praticidade.
A chave, afirmou ele, é garantir que as novas tecnologias agreguem valor genuíno à experiência de condução. Simplesmente adicionar mais “sinos e assobios” não significa progresso. A estratégia da Kia é analisar o que funciona, refiná-lo e aplicá-lo cuidadosamente nos seus mercados globais.
A necessidade universal de simplicidade
A pesquisa da Kia indica uma preferência consistente pela facilidade de utilização, independentemente da localização geográfica ou do conhecimento tecnológico. Paesen observou que estruturas de menu complexas – que exigem várias etapas para acessar funções básicas – são frustrantes para todos os motoristas.
“Se para chegar a uma função é preciso descer três passos [num menu], isso é mau para todos.”
O objetivo da empresa é desenvolver interiores para que eles apoiem os motoristas, em vez de exigir que eles aprendam sistemas complexos. Isso significa minimizar etapas e tornar os controles essenciais acessíveis com o mínimo de esforço.
O futuro da tecnologia automotiva
A Kia está a entrar numa fase em que o foco passa da pura novidade para a entrega de melhorias significativas. O próximo passo da marca é fortalecer sua oferta tecnológica e ao mesmo tempo aprimorar a experiência do usuário. Isto envolve não apenas a implementação de novos recursos, mas também a melhoria da forma como esses recursos interagem com os motoristas, tornando-os mais intuitivos e eficientes.
A abordagem da Kia destaca uma tendência mais ampla no design automóvel: um reconhecimento crescente de que a tecnologia deve servir o condutor, e não o contrário. A empresa aposta que uma combinação de inovação digital e usabilidade física terá repercussão junto de um público global que procura características de vanguarda e uma experiência de condução confortável e intuitiva.























