Demanda de IA ameaça escassez de novos chips automotivos

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A produção global de veículos enfrenta uma nova crise potencial à medida que a procura por chips de memória por parte de empresas de inteligência artificial (IA) aumenta, elevando os preços e ameaçando dar prioridade aos centros de dados em detrimento dos fabricantes de automóveis. A indústria está a preparar-se para uma repetição da escassez de semicondutores vivida após a pandemia da COVID-19, mas desta vez a pressão não provém de perturbações na cadeia de abastecimento, mas sim da procura concorrente.

Aumento de preços de DRAM e impacto na indústria

Os preços dos chips de memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM) já aumentaram 63% na Europa durante o último trimestre de 2025, de acordo com The Register. Analistas da S&P Global e UBS preveem que os fabricantes de chips favorecerão clientes lucrativos de data centers de IA em detrimento de fornecedores automotivos, causando potencialmente um aumento de preço de 70-100% para DRAM de nível automotivo.

Matthew Beecham, da S&P Global, alerta que isso pode desencadear “pânico nas compras e interrupções na produção em toda a indústria”. O risco é particularmente grave para os fabricantes de automóveis que investem fortemente em sistemas de condução autónoma, como a Tesla e a Rivian, uma vez que o desenvolvimento da IA ​​é muito mais rentável para os fabricantes de chips. O UBS sugere que a interrupção da cadeia de abastecimento pode começar já no segundo trimestre deste ano.

O eco dos erros do passado

Esta situação ecoa a crise dos semicondutores de 2020, quando os fabricantes de automóveis reduziram as encomendas de chips, antecipando a recessão económica. Quando a procura recuperou mais rapidamente do que o esperado, eles encontraram-se no final da cadeia de abastecimento. Os fabricantes então mudaram a produção para maximizar a lucratividade, priorizando modelos com margens mais altas, causando longas listas de espera e atraindo compradores para o mercado de carros usados.

Por que isso é importante

A mudança nas prioridades dos chips reflete o crescente domínio da IA no cenário tecnológico. Os data centers exigem grandes quantidades de chips de memória para potencializar suas operações, o que os torna clientes mais atraentes para empresas de semicondutores. Isto levanta questões sobre a sustentabilidade do fornecimento de chips da indústria automóvel à medida que a IA continua a expandir-se.

A indústria deve adaptar-se diversificando os fornecedores, aumentando os stocks de chips e repensando as estratégias de aquisição a longo prazo. Caso contrário, é provável que ocorra outro período de cortes na produção e preços inflacionados.

O futuro da fabricação automotiva dependerá da eficácia com que as montadoras navegarão na competição por recursos limitados de chips, o que determinará se elas conseguirão continuar a atender à crescente demanda.