Em 1991, a Acura enfrentou um desafio crítico: como melhorar uma fórmula vencedora. A Legend original foi um grande sucesso, superando marcas de luxo estabelecidas como Mercedes-Benz e BMW no mercado dos EUA. O redesenhado sedã Legend de segunda geração teve como objetivo não apenas manter esse ímpeto, mas também elevar ainda mais a fasquia – uma tarefa que exigiu refinamentos substanciais de engenharia e design.
Uma máquina maior e mais capaz
O novo Legend era significativamente maior que o seu antecessor, ostentando uma distância entre eixos 5,9 polegadas mais longa e um aumento geral em comprimento e largura. Este crescimento traduziu-se num melhor espaço interior, particularmente no espaço para as ancas e ombros, embora o espaço para as pernas traseiro tenha sofrido uma ligeira redução. A expansão não foi meramente cosmética; foi um movimento calculado para desafiar diretamente rivais como o Infiniti Q45 e o Lexus LS400, carros que rapidamente se tornaram referências no segmento de luxo. O aumento do tamanho ressaltou a ambição da Acura de competir frente a frente com esses players estabelecidos, sinalizando que a marca não estava mais satisfeita em simplesmente perturbar o mercado, mas em liderá-lo.
Powertrain inovador, manuseio aprimorado
A mudança de engenharia mais notável foi a adoção de um motor V-6 de 3,2 litros montado longitudinalmente em configuração de tração dianteira. Esta configuração pouco convencional, embora complexa, visava melhorar a distribuição de peso de 63/37 para 60/40, melhorando a dinâmica de condução. O motor em si era uma potência, entregando 200 cavalos de potência e 210 libras-pés de torque – uma atualização substancial em relação aos 160 cv e 162 lb-ft do modelo anterior. O resultado foi um notável aumento de desempenho: o Legend LS acelerou de 0 a 60 mph em apenas 7,3 segundos, superando o Lexus LS400.
Este layout do trem de força, embora inicialmente projetado para melhorias de manuseio, também alimentou especulações sobre possíveis futuras variantes de tração nas quatro rodas. A complexidade do sistema sugeria que a Honda havia deliberadamente projetado flexibilidade na plataforma, deixando espaço para maior desenvolvimento e expansão. Esta previsão ressaltou o compromisso da marca com a inovação a longo prazo.
Interior refinado e recursos de segurança avançados
O interior recebeu uma revisão abrangente, embora os críticos tenham notado que não correspondia aos designs vanguardistas de concorrentes como Lexus e Infiniti. Apesar disso, a cabine oferecia maior conforto, materiais de qualidade e uma variedade de comodidades padrão. Notavelmente, o acabamento LS incluía airbags duplos – uma raridade na época – demonstrando o compromisso da Acura com a liderança em segurança. A inclusão de um airbag do lado do passageiro, juntando-se à Mercedes-Benz e à Porsche neste aspecto, posicionou o Legend como uma opção com visão de futuro no mercado de luxo.
Desempenho e Eficiência
Na pista de testes, o Legend provou o seu valor. Ele atingiu uma velocidade máxima de 136 mph e ofereceu maior economia de combustível, com uma classificação EPA de 19 mpg na cidade. Embora esta melhoria tenha sido modesta em comparação com o Lexus LS400, o desempenho geral do Legend permaneceu competitivo, proporcionando uma combinação de velocidade e eficiência que atraiu os compradores mais exigentes.
Veredicto
O Acura Legend LS 1991 foi uma evolução ousada e bem-sucedida de uma plataforma comprovada. Abordou deficiências no manuseio, aumentou a potência e melhorou o refinamento interior, tornando-o um sério concorrente contra os gigantes do luxo estabelecidos. Com um preço inicial de US$ 26.800 (com o acabamento LS chegando a US$ 34.200), ele oferecia uma proposta de valor atraente para compradores que buscavam um sedã de luxo bem equipado e de alto desempenho. O sucesso do Legend ressaltou a capacidade da Acura de inovar e competir num mercado ferozmente competitivo, solidificando a sua posição como um importante player na indústria automotiva.























